Apesar de não substituir os discos ràgidos tal como os conhecemos, a memória Flash prepara-se para alterar as regras do jogo
Os discos ràgidos encontram-se entre nós hí muito mais tempo do que imaginamos. Os primeiros exemplares têm mais de meio século e o formato Winchester, que é hoje utilizado na grande maioria dos discos à venda no mercado, remonta a 1973. Desde então, muitos foram aqueles que previram o seu final, e por mais do que uma vez.
Com a ascensão da memória Flash nos dispositivos móveis, que de resto levou à queda ultimamente registada nos preços, espera-se que os chamados solid state disks (SSD) venham a conhecer uma maior variedade mecânica, mais cedo ou mais tarde. No entanto, e porque isso irí acontecer para jí, é natural que surjam alternativas de menor capacidade capazes de desempenhar um papel fundamental no armazenamento para PC, como é o caso da memória Flash.
Tempos de acesso
Algo que ensombra a tecnologia HD dí pelo nome de ?efeito supermagnético?, que supostamente define o limite de pequenez dos grãos magnéticos existentes num disco ràgido. Abaixo de um determinado valor, a temperatura sobe suficientemente de modo a inverter a polaridade magnética dessas partàculas, o que torna o disco pouco fiível.
Actualmente, o efeito supermagnético estí a ser tido em conta em novos desenvolvimentos, como a gravação perpendicular (veja a última edição da PCGuia), que permite o uso de grãos mais largos e o seu empilhamento perpendicularmente face à superfàcie do disco ràgido. Na gravação tradicional, os grãos movimentam-se paralelamente à superfàcie do disco, pelo que ocupam um espaço maior. Por outro lado, a gravação perpendicular irí apenas atrasar a execução do disco.
A memória Flash requer igualmente menor potência do que um disco mecânico. A recente unidade da Hitachi de 2,5 polegadas, a 5K160, consome 1,8 watts quando escreve e grava e apenas 0,8 watts em estado idle, valores que contrastam respectivamente com os 0,5 watts e 0,01 watts proporcionados pela drive SSD baseada em Flash da Samsung. A tecnologia Flash oferece ainda tempos de acesso muito mais baixos face aos permitidos pelos discos ràgidos tradicionais.
O Raptor X de 10000 rpm da Western Digital, o mais rípido disco SATA actualmente disponàvel no mercado, tem um tempo de acesso médio de 8 milissegundos. Por sua vez, a memória Flash pode ser acedida em menos de 100 microssegundos, o que é cerca de cem vezes mais rípido. Como resultado, os discos Flash podem oferecer tempos de arranque entre os 25 e os 50 por cento mais rípidos em comparação com os discos convencionais.
No outro lado da moeda, a memória Flash ainda só estí disponàvel em quantidades de armazenamento francamente ?magras? em relação aos discos ràgidos. E mesmo as mais bem fornecidas neste capàtulo gozam de uma fama imprópria para orçamentos menos generosos. A unidade SSD disponàvel com maior capacidade é o modelo de DiskOnModule com 64GB e 2,5 polegadas da PQI. A maior parte deste tipo de SSDs apresenta 32GB ou menos, com os preços a passarem a barreira dos 1500 euros, o que é mais do que 25 vezes o preço de um disco ràgido de 2,5 polegadas com a mesma capacidade.
Os SSDs também não podem competir com os tradicionais HDDs em matéria de transferência sustentada. A Samsung diz que o seu modelo atinge os 57MB/s em leitura, o que é comparível a um disco de 2,5 polegadas para notebook, mas que é igualmente cerca de 10MB/s mais lento face a um disco SATA de 3,5 polegadas e 7200 rpm. No entanto, as velocidades de gravação ficam-se por uns magros 32MB/s.
Tecnologia hàbrida
Como vimos, os SSDs têm vantagens e desvantagens face aos HDDs, o que nos leva a equacionar o seguinte: por que não usar ambas as tecnologias em simultâneo? A Samsung foi pioneira na apresentação deste conceito Hybrid Hard Disk (HHD) e tem vindo a falar sobre um disco ràgido hàbrido durante o último ano. Na prítica, trata-se de adicionar 128MB de memória Flash OneNAND a um disco ràgido tradicional, sendo a tecnologia Flash utilizada como um buffer, que se encarregarí das tarefas de escrita até que esteja totalmente preenchido. Só depois os dados são transferidos para o HHD.
Desta forma, e durante as alturas de menor utilização, o disco ràgido pode manter-se em modo idle ou até mesmo de hibernação por mais tempo. De acordo com a Samsung, isto permite reduzir o consumo de energia até uma média de 9%. O Seagate Momentum 5400 PSD toma uma abordagem semelhante, mas recorre ao dobro da memória Flash (256MB). A Seagate mantém assim a maior capacidade e reduz o consumo de energia pela metade.
Uma vez que a memória Flash pode guardar os dados sem energia, torna-se no local ideal para armazenar parte do ficheiro de hibernação. A Seagate argumenta que isto permite reduzir em 20% o tempo de recuperação. Usar um buffer Flash também pode permitir um aumento do tempo de vida de um disco ràgido, que é habitualmente medido em termos do número médio de horas que pode funcionar antes de apresentar erros.
Apesar de a Samsung ser a primeira a publicitar o HHD, este formato foi desenvolvido pela Microsoft.
De facto, duas tecnologias dentro do Vista irão fazer uso dele. A ReadyDrive é o que a Microsoft chama de suporte para discos ràgidos dentro do Vista, sendo necessírio um driver para gerir todo o processo. Mas a Microsoft tem uma ideia mais vasta e surpreendente em matéria de discos hàbridos e, como reconhecimento das pequenas drives de Flash RAM, o Windows Vista irí ainda conter a ReadyBoost, que todos poderão usar.
Em vez de ter a cache Flash embutida no disco ràgido, a ReadyBoost pode usar disco Flash directamente. Em Julho deste ano, a Samsung lançou uma unidade SSD ATA de 4GB dirigida especificamente para a ReadyBoost. Talvez a versão mais viível desta ideia hàbrida seja a proposta que a Intel estí a desenvolver e que dí pelo nome de Robson.
Em vez de se fazer basear no disco ràgido ou em memória Flash complementar, o Robson coloca-o directamente na motherboard, sendo ligado ao Southbridge através do PCI Express. Desta forma, qualquer disco pode ser usado e o utilizador não terí que se preocupar com questões de compatibilidade.
O maior benefàcio da tecnologia ReadyDrive reside no baixo consumo de energia, pelo que se torna dirigida principalmente para os computadores portíteis. Mas com os 4GB a serem jí lançados na ReadyBoost, a ideia do disco hàbrido começa a ter implicações claras também no mundo dos PCs de secretíria.
Talvez o SSD venha a impor-se ao HDD, tal como tem vindo a ser antecipado tantas vezes. Mas o resultado final poderí ser um pouco diferente do antecipado hí jí alguns anos.
Fonte: http://www.pcguia.xl.pt/1206/hardware/100.shtml





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